Como a nossa sociedade está se matando

A depressão e o suicídio entre nossos jovens estão tomando características epidêmicas. É preciso pôr um ponto final nisso.

por Eduardo Costa

8 pessoas por dia. Essa foi a taxa de suicídio de jovens entre 15 e 29 anos no Brasil, em 2014. A cada 100 mil jovens de 15 a 29 anos, 6 se suicidam. 26. Esse é o número de pessoas que cometem suicídio todo dia no Brasil. 95% das pessoas que se suicidam possuem algum diagnóstico de doença psiquiátrica. Jovens LGBTI têm quatro vezes mais chances de cometer suicídio. Tem algo de errado com a nossa sociedade. E nós temos a obrigação de mudar isso. É nosso dever como cidadãos, como seres humanos. Essas taxas alarmantes vêm crescendo cada vez mais ao longo do tempo, indicando que algo está fazendo com que algumas pessoas não aguentem mais.

Basta ir à sessão de comentários de qualquer portal jornalístico para ver. Centenas e centenas de comentários ofendendo tudo e todos, e quando há discordância entre as pessoas, logo vem alguém falar: “se mate”. Até mesmo em um artigo sobre a crescente taxa de suicídio há comentários assim. Isso mostra que erramos em algum ponto na humanidade. A pressão para tirar boas notas nos vestibulares, para poder entrar em uma boa faculdade, para poder ter um bom emprego, para poder ganhar dinheiro. Tudo na nossa sociedade gira em torno do dinheiro. As pressões vêm de todos os lados, dos pais, dos professores, dos colegas, até mesmo dos amigos próximos. Se seu amigo não dorme há três dias para estudar para uma prova, mas ele vai bem nessa prova, você considera esse amigo uma pessoa bem sucedida. Mas ele não é. Ele se privou de uma necessidade básica de todo ser vivo para poder ter dinheiro. Fazer com que isso seja glamourizado ou exaltado só piora a nossa situação.

A constante necessidade de superar os outros, a competitividade excessiva faz com que nossos jovens percam a vontade de se divertir, faz com que o jovem não aproveite todos os aspectos da vida. Com o crescimento das redes sociais, cresce também a necessidade de se mostrar algo que não é, de criar uma máscara que você se apresenta como sendo feliz e sem problemas, sendo que na vida real não é assim. Isso só faz com que o jovem, cada vez mais, ao não ser considerado “bem sucedido”, se sinta mal e inútil. A nossa sociedade faz isso conosco. Nos força goela abaixo o esforço excessivo e cada vez mais exorbitante, e isso faz com que os jovens desenvolvam distúrbios psiquiátricos, como ansiedade, depressão e transtorno bipolar. O bullying também causa esses distúrbios, muitas vezes os intensificando, levando o jovem até um ponto limite, em que ele não aguenta mais as pressões. O Japão, considerado um exemplo de esforço dos alunos, tem uma onda de suicídios na volta às aulas, demonstrando que há algo de errado nesse “modelo” de ensino.

A-depressão-nos-jovens-adolescentesA sociedade é especialmente cruel com as mulheres, por viverem em um mundo onde elas têm que estudar, ser bem-sucedidas, ter filhos e cuidar da casa. Abusos sexuais e psicológicos são grande responsáveis pela depressão nas mulheres, ainda mais aliados à exposição de fotos íntimas, o que faz com que a sociedade rejeite essas mulheres, as deixando marginalizadas, o que pode levá-las ao suicídio também.

Nós precisamos reverter esse quadro abusivo com nossos jovens, ou num futuro muito próximo não haverá trabalhadores com sua saúde mental perfeita. Segundo a OMS, a depressão será a doença mais comum do mundo nos próximos 20 anos. A depressão é a maior causa de incapacidade no mercado de trabalho do Brasil. Precisamos mudar a nossa mentalidade, e ensinar para os jovens que passar no vestibular não é a coisa mais importante do mundo, que eles podem ser felizes sem fazer uma faculdade. Precisamos salvar nossos jovens.

Sistema educacional e suicídio

A invisibilidade dos sofrimentos dos jovens é algo que a sociedade não deve mais tolerar.

por Christian Palmério

A série da Netflix “13 Reasons Why” apresenta como protagonista Hannah Baker, que se suicidou. Ao longo da série, as razões que motivaram essa ação são explicadas, dentre elas o bullying, assédio sexual, depressão e violência física. Fora da ficção, o suicídio continua sendo um problema nas sociedades contemporâneas, necessitando de políticas públicas para tentar reduzir esses atos.

O filósofo Jean Paul Sartre afirmou que a violência, independente de como ela se manifesta, é sempre uma derrota. Uma pesquisa realizada pela USP de Ribeirão Preto estima que 20% dos estudantes escolares já praticaram algum tipo de bullying contra os colegas. O bullying escolar, de acordo com a FIOCRUZ, é um dos grandes motivos de suicídio entre jovens.

Mesmo com campanhas e discussões sobre o assunto no âmbito escolar, o número de casos, tanto de bullying quanto de suicídio, está subindo constantemente. Entretanto, muitos problemas dificultam a solução desse impasse. O silenciamento ainda predominante da mídia, da escola e dos familiares em relação ao suicídio e à depressão cria um ambiente desfavorável para que o adolescente se sinta à vontade para falar de seus sentimentos, fazendo com que seja difícil a percepção de comportamentos suicidas / depressivos. Ademais, a pressão familiar em cima dos jovens em relação ao vestibular acaba por contribuir para que o jovem entre em depressão e não sinta firmeza sobre o seu futuro, resultando em um deslocamento dentro da família.

bullyng-620x350Portanto, medidas são necessárias para resolver essa situação. O MEC deverá providenciar palestras para escolas sobre os temas do bullying, da depressão e do suicídio, utilizando uma linguagem informal para aproximar os jovens. Ademais, devem ser criadas atividades semestrais anônimas, nas quais o jovem poderá relatar os seus sentimentos, criando uma maior facilidade em se abrir para as outras pessoas. O MINC deverá priorizar verbas para produções artísticas que tematizem o suicídio e outros problemas dos jovens, para que haja uma maior representatividade midiática sobre os problemas da juventude. Isso ajudará tanto os pais, no entendimento dos problemas dos filhos, e os próprios adolescentes, que sentindo-se melhor representados, não sofrerão mais em silêncio.

Autonomia dos universitários

Os pais e as universidades devem encarar o ensino superior de maneira bem diferente do ensino médio.

por Melissa Marques

Cada vez mais, podemos perceber a interferência dos pais na vida acadêmica dos alunos, principalmente daqueles de universidades particulares. Por conta disso, o desempenho estudantil dos universitários está mudando, criando estudantes cada vez mais dependentes.

Em universidades privadas como a Belas Artes e o Mackenzie, começou a aumentar o número de pais que vão até a coordenação reclamar das notas dos filhos, fazendo com que as instituições comecem a promover reuniões de pais e professores, iguais as de colégios.

O coordenador do curso de publicidade da Belas Artes observa que alunos que pagam a própria mensalidade tendem a ser mais autônomos do que os que dependem dos pais. Esse tipo de comportamento contempla o que muitos chamam de “geração mimada”.

A falta de autonomia estudantil também pode ser uma consequência do ingresso antecipado de um ou dois anos dessa geração nas faculdades. Segundo a educadora Sílvia Colello, essa diferença, por menor que seja, é o que define essa falta de autonomia. O estudante entra na universidade assim que sai do colégio, tem dificuldade de sair da vida colegial e entrar na universitária.

1377268_537746026305558_1325943867_nPara melhorar essa situação, os pais, por mais preocupados que sejam, devem dar um espaço para o universitário começar a se virar sozinho, e as instituições de ensino não devem aderir a esse controle que os pais querem ter sobre as notas dos filhos. Uma educação liberal é o que permite o aluno ter suas próprias ideias, fazendo com que ele vire um profissional mais competente e independente.

A internet é confiável?

Espalhamos notícias falsas como espalhamos fofocas.

por Giovanna Boscolo Castilho Gonçalves

fake-abraji-onthemidia-990x523As notícias falsas sempre existiram no Brasil; mas, com o surgimento da internet, as ocorrências se intensificaram. Em vez de ter poucas fontes de informação, as pessoas passaram a ter muitas, das quais uma quantidade grande não é confiável. Mas como as pessoas vão saber qual site seria confiável e qual não?

Esse é um dos grandes problemas que existem hoje em dia. A maioria das pessoas acreditam em tudo o que leem, independente de onde saiu a informação; então, espalham as notícias oralmente, junto com muitas mentiras e informações falsas, que podem ser sobre algo que não ocorreu, ou algum fato adulterado.

A psicanalista Maria Rita Kehl afirma: “Como não sabemos o que fazer com algumas notícias que nos chocam, ética ou moralmente, passamos adiante com a sensação de estar participando, de alguma forma, da esfera pública. No fundo, não é muito diferente da dona de casa que ouve alguma fofoca e corre para o muro, a contar para a vizinha”.

Completamente certa, ela quer nos alertar de que precisamos prestar atenção no que passamos para a frente, para não espalharmos notícias falsas, como espalhamos fofocas. As penas para aqueles que fazem essas notícias deveriam ser muito graves, apesar de ser difícil identificar quem atua nisso.

Ler e não entender

Investimentos governamentais são essenciais para diminuir os índices de analfabetismo funcional, que impede o exercício da plena cidadania dos indivíduos.

por Júlia Rosado

No Brasil, o analfabetismo funcional está gerando preocupações entre institutos que pesquisam sobre educação. O estado atual nessa área tem gerado diversas notícias e conflitos na sociedade, sendo que muitas pessoas nem sabem os verdadeiros níveis de analfabetismo.

O analfabeto funcional é aquele que sabe ler e escrever, mas não é capaz de realmente entender o texto, resolver uma equação ou se expressar verbalmente. O que está gerando ainda mais preocupação com o resultado dessas pesquisas é que até estudantes do Ensino Superior não estão sendo capazes de compreender textos. Apenas 8% da população brasileira é totalmente alfabetizada funcionalmente.

escola-e1469804511781Um analfabeto funcional pode acabar se afastando dos acontecimentos e da sociedade. Essas pessoas também podem ser mais facilmente induzidas e enganadas por aproveitadores. Muitas vezes, o analfabetismo funcional não é tanto pelo fato da pessoa não frequentar escola ou faculdade; mas sim pelo fato de, no Brasil, a grande maioria das escolas públicas não serem adequadas (por falta de professores qualificados ou investimentos do governo).

Mesmo com os índices de analfabetismo funcional abaixando, a situação ainda está crítica. O investimento do governo é essencial para a qualidade do ensino ter melhorias perceptíveis.

Crianças e consumismo

A luta contra o consumismo infantil exige que os pais sejam educadores e exemplo para os seus filhos.

por Maria Antônia Borges dos Santos

Segundo a lei brasileira 5921/01, é proibida a publicidade dirigida à criança. Mas, como o cenário geral do país já exprime, simplesmente haver uma lei não garante o seu cumprimento.

A publicidade tem poder de influência inegável. As crianças são ainda mais fáceis de serem atingidas, já que se aproveita da fase de formação delas, apelando para a sua atenção e cumplicidade a determinados produtos. Em meio à Era Tecnológica, esses jovens contemplam por horas o fulgor das telecomunicações coloridas, barulhentas e agonizantes, sendo bombardeados com produtos que os fazem querer consumir cada lançamento, causando uma forte competição entre as crianças, e uma verdadeira ditadura do consumo. Se alguma não possuir o que todas possuem, dentro de um determinado grupo, será excluída e sofrerá bullying.

foto_consumismo5A indústria da beleza está presente em muitos aspectos da sociedade, inclusive no mundo infantil, onde as meninas veem maquiagem, roupas e sapatos que as fazem querer parecer adultas. Existem muitos concursos de beleza, de “miss mirim”, que acabam exacerbando a competição, promovendo sexualização precoce e fazendo com que as crianças se esqueçam de quem são, esquecendo-se de aproveitar o que realmente seria a infância.

Desde pequenas, através de sutilezas culturais e educacionais, as mulheres são ensinadas a agradar os homens, e isso pode causar até problemas de saúde, já que querem fazer de tudo para parecerem mais bonitas. Na França, por exemplo, 37% das meninas fazem dieta.

As indústrias colocam os pais como inimigos, já que não podem dar tudo o que os filhos querem. Porém, é muito fácil persuadir os pequenos, tendo em vista a dificuldade dos pais modernos em dizer “não” às suas crianças. A psicóloga Ana Sandra Fernandes afirma: “Se eu não preparo essas crianças para lidarem com a frustração, com o não, pode acontecer delas serem adultos, no futuro, extremamente frustrados por não terem aquilo que querem. Então, esses ‘nãos’ são fundamentais. E trazem equilíbrio, pois a realidade está posta e não vai mudar.” Acrescenta que é importante os pais se questionarem e prestarem atenção se não estão dando um modelo consumista para os seus filhos se espelharem.

O consumismo apela a todos, independente da classe social, cultura e idade. Porém, as crianças devem ser educadas com cuidado; por isso, os pais devem estar sempre de olho no que os seus filhos assistem na televisão e no que leem na internet, e conseguir dizer “não” com autoridade.

A xenofobia na realidade brasileira

Pode não parecer, mas a xenofobia também existe no Brasil e está crescendo.

por Melissa Marques

A xenofobia é o preconceito contra estrangeiros que pode ter motivação histórica, cultural, religiosa, etc. E não pense que porque o Brasil é conhecido como um “país amigável” que não existe tal problema social aqui. A xenofobia é algo comum na vida de muitos que sofrem ou praticam esse ódio por aí.

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Manifestação xenofóbica na Av. Paulista, em São Paulo.

Nos dias de hoje, muitos brasileiros são hostilizados ao se mudarem para Portugal; mas, há décadas atrás, os portugueses que se mudavam para cá é que eram tratados mal. Isso é um exemplo claro de que a xenofobia acontece de todas as formas.

A questão dos refugiados é uma das que mais causam esse comportamento de ódio hoje em dia. Muitas pessoas veem esses refugiados como “ameaça”, principalmente no mercado de trabalho. Um acontecimento recente é o caso do refugiado sírio que foi agredido em Copacabana, no Rio de Janeiro. Depois disso, os cariocas se mobilizaram e criaram um evento de apoio para o homem. Alguns políticos, como o deputado federal Jair Bolsonaro, também já se mostraram contrários aos refugiados, o que acaba influenciando mais ainda uma parcela da população para esse tipo de comportamento.

Para combater a xenofobia, as pessoas precisam entender que a nacionalidade, etnia, crença de alguém não dá o direito de o outro tratá-lo mal; que isso não faz de ninguém pior do que o resto da população. Todos somos seres humanos e merecemos ser respeitados.

Finalidade das notícias falsas

Desfazer as máquinas que produzem notícias falsas envolve uma responsabilidade ao mesmo tempo individual e coletiva.

por Raquel Aloia

Hoje em dia, é difícil ver alguém desconectado do mundo. Por conta das várias redes sociais que possuímos, estamos sempre recebendo informações de todo lugar. Mas será que essas informações são de fontes confiáveis?

A maioria das pessoas tem preguiça de procurar diferentes fontes de informação sobre um mesmo tema. Assim, acreditam no primeiro website que leem e logo compartilham o que leram entre as pessoas com as quais convivem. Desse modo, muitas notícias vão se espalhando e saindo do controle de quem as publicou em primeiro lugar.

Grande parte das notícias mais acessadas são aquelas que possuem teor sensacionalista, ou seja, as que buscam causar impacto no público, chamando atenção. Muitas notícias desse tipo são falsas, e procuram se aproveitar de alguma figura pública relacionada a algum tema polêmico.

Foi isso o que Alberto Júnior da Silva fez. Dono de vários websites, ele escreve matérias que transmitem notícias falsas. Um de seus sites se chama “Pensa Brasil”, onde foi publicada uma matéria sobre o fato de Gilberto Gil (figura pública) ter, supostamente, falado mal de um magistrado da Operação Lava-Jato: o juiz Sérgio Moro. Gil entrou na justiça para acusar o autor por danos morais. Conseguiu que o conteúdo fosse removido das redes. Porém, fica a pergunta do por quê essas notícias falsas serem publicadas.

Quando qualquer notícia é postada, são esperados vários acessos à página, pois os sites lucram com a venda de anúncios. Assim, quanto maior a audiência da página, mais renda ela obterá com publicidade. Chamar a atenção do público com manchetes sensacionalistas, por exemplo, é algo bem comum. E, já que as pessoas não procuram maiores informações sobre um mesmo tema ou fato noticiado em algum lugar, criar notícias falsas e (ou) polêmicas apenas para se ganhar dinheiro é algo fácil de se fazer.

fake-newsAssim, o desafio é diferenciar as notícias verdadeiras das falsas. Ambas têm a mesma capacidade de se espalhar rapidamente, e a verdade nas mídias é considerada apenas um detalhe, algo sem importância por ser, algumas vezes, pouco chamativo. Portanto, algo que é possível fazer para se acabar com esse tipo de notícia é buscar sempre informações em veículos diversificados e exigir punição legal aos autores de notícias falsas na internet.

Sem mais segregação

Desfazer os preconceitos por trás da denominada apropriação cultural passa por conhecer e respeitar as culturas originais de onde surgem os símbolos que queiramos adotar.

por Ana Beatriz Cavalcante Urze Rhomens Marques

O termo mais discutido depois do episódio em que uma garota postou, em seu facebook, que duas outras garotas, negras, abordaram-na no ônibus pedindo para que retirasse o turbante que usava na cabeça, é a apropriação cultural. Mas o que é isso?

Apropriação cultural é um conceito antropológico que se refere à adoção de alguns elementos específicos de uma cultura por um grupo diferente. O seu sentido é negativo, pois tal apropriação é feita por um grupo dominante em relação a um grupo oprimido.

Desde a época das grandes navegações, são evidentes a segregação e a marginalização de muitas culturas, uma vez que a cultura branca e europeia sempre foi mais valorizada. Com a chegada da globalização,  o rápido acesso a diferentes culturas abriu as portas para um novo jeito de ver essas diferenças, agora não mais a partir de um ponto de vista preconceituoso.

Além disso, vivemos em uma sociedade que preza a liberdade individual e o respeito. Vivemos em uma época de desconstrução de pensamentos, com o objetivo de unir toda a sociedade e igualar todos os indivíduos, acabando com o preconceito e a marginalização.

11013568_934426963285774_7827075776219593946_nA partir do momento em que se diz que uma pessoa branca não pode usar um turbante, cria-se uma barreira entre culturas, com a justificativa de que tal pessoa pertence ao grupo dominante. Uma pessoa branca usar um turbante mostra que há uma desconstrução de pensamento, pois aquele turbante já não é mais um símbolo marginalizado.

É claro que, por outro lado, a indústria da moda se aproveita dessa desmarginalização para simplesmente lucrar, sem ao menos dar atenção para a cultura original de onde aquele símbolo surgiu, defeito grave do mundo capitalista.

É necessário que a mídia e as pessoas, ao invés de enfatizarem apenas a separação e a diferença entre as culturas, comecem a observar e mostrar as origens culturais de cada símbolo que se queira adotar – inclusive roupas e adereços. Isso contribuiria para a diminuição da segregação e seria melhor do que não usar algo por medo, ou julgar quem usa.

Para todos

É preciso investir em educação pública, gratuita e de qualidade, para acabar com o problema grave do analfabetismo funcional.

por José Maria Ruiz de Gamboa Velasquez

De acordo com o INAF (Indicador de Alfabetismo Funcional), somente 8% da população brasileira é proficiente em sua própria língua. Ainda, 38% dos estudantes do Ensino Médio não dominam habilidades básicas de ler e escrever. O indivíduo proficiente é capaz de compreender e elaborar diversos gêneros textuais, reconhecer o estilo e o posicionamento opinativo do autor, além de compreender e interpretar gráficos.

Este assunto é de extrema relevância, dado que o país carece de boa qualificação de mão-de-obra, podendo haver uma maior ascensão social e aquecimento da economia com mais trabalhadores qualificados. Para a professora da UNICAMP, Ana Lúcia Guedes Pinto, o atraso na educação brasileira reflete a desigualdade socioeconômica que persiste em toda a nossa história.

sos educacaoO problema educacional brasileiro vem se arrastando desde a colonização, quando a educação se destinava somente aos mais ricos, e não aos pobres ou escravos, como afirma o historiador Boris Fausto. Ainda segundo a pesquisa citada, o ingresso de 30 milhões de estudantes no Ensino Superior entre 2000 e 2009 foi bom, pois difundiu o acesso à educação para diversos estratos sociais.

Porém, não se investiu na qualidade desse mesmo ensino, o que pode ser comprovado pela baixa qualidade de muitas universidades privadas. A pesquisa também traz outro dado alarmante: o analfabetismo funcional ser maior entre pessoas de 50 a 64 anos de idade.

Para que se possam obter níveis menores de analfabetismo funcional, são necessárias políticas públicas voltadas para uma melhor qualidade do ensino público, além da criação de programas que estimulem o acesso à educação para que se obtenha maior geração de renda e crescimento profissional. Enfim, uma educação pública,  gratuita e de qualidade para todos, conforme previsto pela Constituição.