Crianças e consumismo

A luta contra o consumismo infantil exige que os pais sejam educadores e exemplo para os seus filhos.

por Maria Antônia Borges dos Santos

Segundo a lei brasileira 5921/01, é proibida a publicidade dirigida à criança. Mas, como o cenário geral do país já exprime, simplesmente haver uma lei não garante o seu cumprimento.

A publicidade tem poder de influência inegável. As crianças são ainda mais fáceis de serem atingidas, já que se aproveita da fase de formação delas, apelando para a sua atenção e cumplicidade a determinados produtos. Em meio à Era Tecnológica, esses jovens contemplam por horas o fulgor das telecomunicações coloridas, barulhentas e agonizantes, sendo bombardeados com produtos que os fazem querer consumir cada lançamento, causando uma forte competição entre as crianças, e uma verdadeira ditadura do consumo. Se alguma não possuir o que todas possuem, dentro de um determinado grupo, será excluída e sofrerá bullying.

foto_consumismo5A indústria da beleza está presente em muitos aspectos da sociedade, inclusive no mundo infantil, onde as meninas veem maquiagem, roupas e sapatos que as fazem querer parecer adultas. Existem muitos concursos de beleza, de “miss mirim”, que acabam exacerbando a competição, promovendo sexualização precoce e fazendo com que as crianças se esqueçam de quem são, esquecendo-se de aproveitar o que realmente seria a infância.

Desde pequenas, através de sutilezas culturais e educacionais, as mulheres são ensinadas a agradar os homens, e isso pode causar até problemas de saúde, já que querem fazer de tudo para parecerem mais bonitas. Na França, por exemplo, 37% das meninas fazem dieta.

As indústrias colocam os pais como inimigos, já que não podem dar tudo o que os filhos querem. Porém, é muito fácil persuadir os pequenos, tendo em vista a dificuldade dos pais modernos em dizer “não” às suas crianças. A psicóloga Ana Sandra Fernandes afirma: “Se eu não preparo essas crianças para lidarem com a frustração, com o não, pode acontecer delas serem adultos, no futuro, extremamente frustrados por não terem aquilo que querem. Então, esses ‘nãos’ são fundamentais. E trazem equilíbrio, pois a realidade está posta e não vai mudar.” Acrescenta que é importante os pais se questionarem e prestarem atenção se não estão dando um modelo consumista para os seus filhos se espelharem.

O consumismo apela a todos, independente da classe social, cultura e idade. Porém, as crianças devem ser educadas com cuidado; por isso, os pais devem estar sempre de olho no que os seus filhos assistem na televisão e no que leem na internet, e conseguir dizer “não” com autoridade.

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