Autonomia dos universitários

Os pais e as universidades devem encarar o ensino superior de maneira bem diferente do ensino médio.

por Melissa Marques

Cada vez mais, podemos perceber a interferência dos pais na vida acadêmica dos alunos, principalmente daqueles de universidades particulares. Por conta disso, o desempenho estudantil dos universitários está mudando, criando estudantes cada vez mais dependentes.

Em universidades privadas como a Belas Artes e o Mackenzie, começou a aumentar o número de pais que vão até a coordenação reclamar das notas dos filhos, fazendo com que as instituições comecem a promover reuniões de pais e professores, iguais as de colégios.

O coordenador do curso de publicidade da Belas Artes observa que alunos que pagam a própria mensalidade tendem a ser mais autônomos do que os que dependem dos pais. Esse tipo de comportamento contempla o que muitos chamam de “geração mimada”.

A falta de autonomia estudantil também pode ser uma consequência do ingresso antecipado de um ou dois anos dessa geração nas faculdades. Segundo a educadora Sílvia Colello, essa diferença, por menor que seja, é o que define essa falta de autonomia. O estudante entra na universidade assim que sai do colégio, tem dificuldade de sair da vida colegial e entrar na universitária.

1377268_537746026305558_1325943867_nPara melhorar essa situação, os pais, por mais preocupados que sejam, devem dar um espaço para o universitário começar a se virar sozinho, e as instituições de ensino não devem aderir a esse controle que os pais querem ter sobre as notas dos filhos. Uma educação liberal é o que permite o aluno ter suas próprias ideias, fazendo com que ele vire um profissional mais competente e independente.

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A internet é confiável?

Espalhamos notícias falsas como espalhamos fofocas.

por Giovanna Boscolo Castilho Gonçalves

fake-abraji-onthemidia-990x523As notícias falsas sempre existiram no Brasil; mas, com o surgimento da internet, as ocorrências se intensificaram. Em vez de ter poucas fontes de informação, as pessoas passaram a ter muitas, das quais uma quantidade grande não é confiável. Mas como as pessoas vão saber qual site seria confiável e qual não?

Esse é um dos grandes problemas que existem hoje em dia. A maioria das pessoas acreditam em tudo o que leem, independente de onde saiu a informação; então, espalham as notícias oralmente, junto com muitas mentiras e informações falsas, que podem ser sobre algo que não ocorreu, ou algum fato adulterado.

A psicanalista Maria Rita Kehl afirma: “Como não sabemos o que fazer com algumas notícias que nos chocam, ética ou moralmente, passamos adiante com a sensação de estar participando, de alguma forma, da esfera pública. No fundo, não é muito diferente da dona de casa que ouve alguma fofoca e corre para o muro, a contar para a vizinha”.

Completamente certa, ela quer nos alertar de que precisamos prestar atenção no que passamos para a frente, para não espalharmos notícias falsas, como espalhamos fofocas. As penas para aqueles que fazem essas notícias deveriam ser muito graves, apesar de ser difícil identificar quem atua nisso.

Ler e não entender

Investimentos governamentais são essenciais para diminuir os índices de analfabetismo funcional, que impede o exercício da plena cidadania dos indivíduos.

por Júlia Rosado

No Brasil, o analfabetismo funcional está gerando preocupações entre institutos que pesquisam sobre educação. O estado atual nessa área tem gerado diversas notícias e conflitos na sociedade, sendo que muitas pessoas nem sabem os verdadeiros níveis de analfabetismo.

O analfabeto funcional é aquele que sabe ler e escrever, mas não é capaz de realmente entender o texto, resolver uma equação ou se expressar verbalmente. O que está gerando ainda mais preocupação com o resultado dessas pesquisas é que até estudantes do Ensino Superior não estão sendo capazes de compreender textos. Apenas 8% da população brasileira é totalmente alfabetizada funcionalmente.

escola-e1469804511781Um analfabeto funcional pode acabar se afastando dos acontecimentos e da sociedade. Essas pessoas também podem ser mais facilmente induzidas e enganadas por aproveitadores. Muitas vezes, o analfabetismo funcional não é tanto pelo fato da pessoa não frequentar escola ou faculdade; mas sim pelo fato de, no Brasil, a grande maioria das escolas públicas não serem adequadas (por falta de professores qualificados ou investimentos do governo).

Mesmo com os índices de analfabetismo funcional abaixando, a situação ainda está crítica. O investimento do governo é essencial para a qualidade do ensino ter melhorias perceptíveis.

Crianças e consumismo

A luta contra o consumismo infantil exige que os pais sejam educadores e exemplo para os seus filhos.

por Maria Antônia Borges dos Santos

Segundo a lei brasileira 5921/01, é proibida a publicidade dirigida à criança. Mas, como o cenário geral do país já exprime, simplesmente haver uma lei não garante o seu cumprimento.

A publicidade tem poder de influência inegável. As crianças são ainda mais fáceis de serem atingidas, já que se aproveita da fase de formação delas, apelando para a sua atenção e cumplicidade a determinados produtos. Em meio à Era Tecnológica, esses jovens contemplam por horas o fulgor das telecomunicações coloridas, barulhentas e agonizantes, sendo bombardeados com produtos que os fazem querer consumir cada lançamento, causando uma forte competição entre as crianças, e uma verdadeira ditadura do consumo. Se alguma não possuir o que todas possuem, dentro de um determinado grupo, será excluída e sofrerá bullying.

foto_consumismo5A indústria da beleza está presente em muitos aspectos da sociedade, inclusive no mundo infantil, onde as meninas veem maquiagem, roupas e sapatos que as fazem querer parecer adultas. Existem muitos concursos de beleza, de “miss mirim”, que acabam exacerbando a competição, promovendo sexualização precoce e fazendo com que as crianças se esqueçam de quem são, esquecendo-se de aproveitar o que realmente seria a infância.

Desde pequenas, através de sutilezas culturais e educacionais, as mulheres são ensinadas a agradar os homens, e isso pode causar até problemas de saúde, já que querem fazer de tudo para parecerem mais bonitas. Na França, por exemplo, 37% das meninas fazem dieta.

As indústrias colocam os pais como inimigos, já que não podem dar tudo o que os filhos querem. Porém, é muito fácil persuadir os pequenos, tendo em vista a dificuldade dos pais modernos em dizer “não” às suas crianças. A psicóloga Ana Sandra Fernandes afirma: “Se eu não preparo essas crianças para lidarem com a frustração, com o não, pode acontecer delas serem adultos, no futuro, extremamente frustrados por não terem aquilo que querem. Então, esses ‘nãos’ são fundamentais. E trazem equilíbrio, pois a realidade está posta e não vai mudar.” Acrescenta que é importante os pais se questionarem e prestarem atenção se não estão dando um modelo consumista para os seus filhos se espelharem.

O consumismo apela a todos, independente da classe social, cultura e idade. Porém, as crianças devem ser educadas com cuidado; por isso, os pais devem estar sempre de olho no que os seus filhos assistem na televisão e no que leem na internet, e conseguir dizer “não” com autoridade.

A xenofobia na realidade brasileira

Pode não parecer, mas a xenofobia também existe no Brasil e está crescendo.

por Melissa Marques

A xenofobia é o preconceito contra estrangeiros que pode ter motivação histórica, cultural, religiosa, etc. E não pense que porque o Brasil é conhecido como um “país amigável” que não existe tal problema social aqui. A xenofobia é algo comum na vida de muitos que sofrem ou praticam esse ódio por aí.

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Manifestação xenofóbica na Av. Paulista, em São Paulo.

Nos dias de hoje, muitos brasileiros são hostilizados ao se mudarem para Portugal; mas, há décadas atrás, os portugueses que se mudavam para cá é que eram tratados mal. Isso é um exemplo claro de que a xenofobia acontece de todas as formas.

A questão dos refugiados é uma das que mais causam esse comportamento de ódio hoje em dia. Muitas pessoas veem esses refugiados como “ameaça”, principalmente no mercado de trabalho. Um acontecimento recente é o caso do refugiado sírio que foi agredido em Copacabana, no Rio de Janeiro. Depois disso, os cariocas se mobilizaram e criaram um evento de apoio para o homem. Alguns políticos, como o deputado federal Jair Bolsonaro, também já se mostraram contrários aos refugiados, o que acaba influenciando mais ainda uma parcela da população para esse tipo de comportamento.

Para combater a xenofobia, as pessoas precisam entender que a nacionalidade, etnia, crença de alguém não dá o direito de o outro tratá-lo mal; que isso não faz de ninguém pior do que o resto da população. Todos somos seres humanos e merecemos ser respeitados.

Finalidade das notícias falsas

Desfazer as máquinas que produzem notícias falsas envolve uma responsabilidade ao mesmo tempo individual e coletiva.

por Raquel Aloia

Hoje em dia, é difícil ver alguém desconectado do mundo. Por conta das várias redes sociais que possuímos, estamos sempre recebendo informações de todo lugar. Mas será que essas informações são de fontes confiáveis?

A maioria das pessoas tem preguiça de procurar diferentes fontes de informação sobre um mesmo tema. Assim, acreditam no primeiro website que leem e logo compartilham o que leram entre as pessoas com as quais convivem. Desse modo, muitas notícias vão se espalhando e saindo do controle de quem as publicou em primeiro lugar.

Grande parte das notícias mais acessadas são aquelas que possuem teor sensacionalista, ou seja, as que buscam causar impacto no público, chamando atenção. Muitas notícias desse tipo são falsas, e procuram se aproveitar de alguma figura pública relacionada a algum tema polêmico.

Foi isso o que Alberto Júnior da Silva fez. Dono de vários websites, ele escreve matérias que transmitem notícias falsas. Um de seus sites se chama “Pensa Brasil”, onde foi publicada uma matéria sobre o fato de Gilberto Gil (figura pública) ter, supostamente, falado mal de um magistrado da Operação Lava-Jato: o juiz Sérgio Moro. Gil entrou na justiça para acusar o autor por danos morais. Conseguiu que o conteúdo fosse removido das redes. Porém, fica a pergunta do por quê essas notícias falsas serem publicadas.

Quando qualquer notícia é postada, são esperados vários acessos à página, pois os sites lucram com a venda de anúncios. Assim, quanto maior a audiência da página, mais renda ela obterá com publicidade. Chamar a atenção do público com manchetes sensacionalistas, por exemplo, é algo bem comum. E, já que as pessoas não procuram maiores informações sobre um mesmo tema ou fato noticiado em algum lugar, criar notícias falsas e (ou) polêmicas apenas para se ganhar dinheiro é algo fácil de se fazer.

fake-newsAssim, o desafio é diferenciar as notícias verdadeiras das falsas. Ambas têm a mesma capacidade de se espalhar rapidamente, e a verdade nas mídias é considerada apenas um detalhe, algo sem importância por ser, algumas vezes, pouco chamativo. Portanto, algo que é possível fazer para se acabar com esse tipo de notícia é buscar sempre informações em veículos diversificados e exigir punição legal aos autores de notícias falsas na internet.

Sem mais segregação

Desfazer os preconceitos por trás da denominada apropriação cultural passa por conhecer e respeitar as culturas originais de onde surgem os símbolos que queiramos adotar.

por Ana Beatriz Cavalcante Urze Rhomens Marques

O termo mais discutido depois do episódio em que uma garota postou, em seu facebook, que duas outras garotas, negras, abordaram-na no ônibus pedindo para que retirasse o turbante que usava na cabeça, é a apropriação cultural. Mas o que é isso?

Apropriação cultural é um conceito antropológico que se refere à adoção de alguns elementos específicos de uma cultura por um grupo diferente. O seu sentido é negativo, pois tal apropriação é feita por um grupo dominante em relação a um grupo oprimido.

Desde a época das grandes navegações, são evidentes a segregação e a marginalização de muitas culturas, uma vez que a cultura branca e europeia sempre foi mais valorizada. Com a chegada da globalização,  o rápido acesso a diferentes culturas abriu as portas para um novo jeito de ver essas diferenças, agora não mais a partir de um ponto de vista preconceituoso.

Além disso, vivemos em uma sociedade que preza a liberdade individual e o respeito. Vivemos em uma época de desconstrução de pensamentos, com o objetivo de unir toda a sociedade e igualar todos os indivíduos, acabando com o preconceito e a marginalização.

11013568_934426963285774_7827075776219593946_nA partir do momento em que se diz que uma pessoa branca não pode usar um turbante, cria-se uma barreira entre culturas, com a justificativa de que tal pessoa pertence ao grupo dominante. Uma pessoa branca usar um turbante mostra que há uma desconstrução de pensamento, pois aquele turbante já não é mais um símbolo marginalizado.

É claro que, por outro lado, a indústria da moda se aproveita dessa desmarginalização para simplesmente lucrar, sem ao menos dar atenção para a cultura original de onde aquele símbolo surgiu, defeito grave do mundo capitalista.

É necessário que a mídia e as pessoas, ao invés de enfatizarem apenas a separação e a diferença entre as culturas, comecem a observar e mostrar as origens culturais de cada símbolo que se queira adotar – inclusive roupas e adereços. Isso contribuiria para a diminuição da segregação e seria melhor do que não usar algo por medo, ou julgar quem usa.