Ler e não entender

Investimentos governamentais são essenciais para diminuir os índices de analfabetismo funcional, que impede o exercício da plena cidadania dos indivíduos.

por Júlia Rosado

No Brasil, o analfabetismo funcional está gerando preocupações entre institutos que pesquisam sobre educação. O estado atual nessa área tem gerado diversas notícias e conflitos na sociedade, sendo que muitas pessoas nem sabem os verdadeiros níveis de analfabetismo.

O analfabeto funcional é aquele que sabe ler e escrever, mas não é capaz de realmente entender o texto, resolver uma equação ou se expressar verbalmente. O que está gerando ainda mais preocupação com o resultado dessas pesquisas é que até estudantes do Ensino Superior não estão sendo capazes de compreender textos. Apenas 8% da população brasileira é totalmente alfabetizada funcionalmente.

escola-e1469804511781Um analfabeto funcional pode acabar se afastando dos acontecimentos e da sociedade. Essas pessoas também podem ser mais facilmente induzidas e enganadas por aproveitadores. Muitas vezes, o analfabetismo funcional não é tanto pelo fato da pessoa não frequentar escola ou faculdade; mas sim pelo fato de, no Brasil, a grande maioria das escolas públicas não serem adequadas (por falta de professores qualificados ou investimentos do governo).

Mesmo com os índices de analfabetismo funcional abaixando, a situação ainda está crítica. O investimento do governo é essencial para a qualidade do ensino ter melhorias perceptíveis.

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Para todos

É preciso investir em educação pública, gratuita e de qualidade, para acabar com o problema grave do analfabetismo funcional.

por José Maria Ruiz de Gamboa Velasquez

De acordo com o INAF (Indicador de Alfabetismo Funcional), somente 8% da população brasileira é proficiente em sua própria língua. Ainda, 38% dos estudantes do Ensino Médio não dominam habilidades básicas de ler e escrever. O indivíduo proficiente é capaz de compreender e elaborar diversos gêneros textuais, reconhecer o estilo e o posicionamento opinativo do autor, além de compreender e interpretar gráficos.

Este assunto é de extrema relevância, dado que o país carece de boa qualificação de mão-de-obra, podendo haver uma maior ascensão social e aquecimento da economia com mais trabalhadores qualificados. Para a professora da UNICAMP, Ana Lúcia Guedes Pinto, o atraso na educação brasileira reflete a desigualdade socioeconômica que persiste em toda a nossa história.

sos educacaoO problema educacional brasileiro vem se arrastando desde a colonização, quando a educação se destinava somente aos mais ricos, e não aos pobres ou escravos, como afirma o historiador Boris Fausto. Ainda segundo a pesquisa citada, o ingresso de 30 milhões de estudantes no Ensino Superior entre 2000 e 2009 foi bom, pois difundiu o acesso à educação para diversos estratos sociais.

Porém, não se investiu na qualidade desse mesmo ensino, o que pode ser comprovado pela baixa qualidade de muitas universidades privadas. A pesquisa também traz outro dado alarmante: o analfabetismo funcional ser maior entre pessoas de 50 a 64 anos de idade.

Para que se possam obter níveis menores de analfabetismo funcional, são necessárias políticas públicas voltadas para uma melhor qualidade do ensino público, além da criação de programas que estimulem o acesso à educação para que se obtenha maior geração de renda e crescimento profissional. Enfim, uma educação pública,  gratuita e de qualidade para todos, conforme previsto pela Constituição.