Mulher de “bem”

Pesquisa revela o quanto padrões de pensamento machista ainda predominam em nossa sociedade e são responsáveis pela violência contra a mulher.

por Luana Favero Santalucia

Uma campanha promovida no começo deste ano, pelo site Catraca Livre e intitulada “Carnaval sem assédio”, encomendou uma pesquisa realizada pelo Instituto Data Popular, que apontou o que os homens acham de uma mulher solteira que decide “pular” carnaval.

61% dos homens abordados afirmaram que uma mulher solteira que vai pular carnaval não pode reclamar de receber “cantadas”; 49% disseram que carnaval de rua não é lugar de mulher “direita”; 70% acham que as mulheres se sentem bem ao ouvirem um assobio, e 59% acreditam que elas também ficam felizes ao receberem cantadas na rua.

Pois uma mulher que se “preze”, uma mulher de “bem”, tem que ficar em casa descansando. Uma mulher direita também se vestiria “corretamente”, ou seja, sem roupas curtas e justas, sem exibir seu corpo. Além de que esse tipo de mulher não ingeriria bebidas alcoólicas nem fumaria.

o-MACHISMO-PROTESTO-900Uma mulher de “bem” deve então se privar de festas e não pode usar as roupas que quiser; pois, se usar, estaria sujeita a assédio, ela estaria “pedindo por isso”. Essa mulher deve ficar em casa servindo ao homem, disposta a qualquer tarefa caseira em benefício dele, não deve reivindicar qualquer coisa que não esteja dentro dos padrões patriarcais.

Essa mulher é sujeita a um discurso da “tradição”, muitas vezes constituído de modo a deixá-la subjugada ao homem e sem poder de questionamento. As mulheres que ousam não seguir esses preceitos estão sujeitas a violência verbal, física e sexual. A pesquisa feita pelo Data Popular consegue traduzir bem o quanto a nossa sociedade ainda se mostra extremamente machista.

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