Sistema educacional e suicídio

A invisibilidade dos sofrimentos dos jovens é algo que a sociedade não deve mais tolerar.

por Christian Palmério

A série da Netflix “13 Reasons Why” apresenta como protagonista Hannah Baker, que se suicidou. Ao longo da série, as razões que motivaram essa ação são explicadas, dentre elas o bullying, assédio sexual, depressão e violência física. Fora da ficção, o suicídio continua sendo um problema nas sociedades contemporâneas, necessitando de políticas públicas para tentar reduzir esses atos.

O filósofo Jean Paul Sartre afirmou que a violência, independente de como ela se manifesta, é sempre uma derrota. Uma pesquisa realizada pela USP de Ribeirão Preto estima que 20% dos estudantes escolares já praticaram algum tipo de bullying contra os colegas. O bullying escolar, de acordo com a FIOCRUZ, é um dos grandes motivos de suicídio entre jovens.

Mesmo com campanhas e discussões sobre o assunto no âmbito escolar, o número de casos, tanto de bullying quanto de suicídio, está subindo constantemente. Entretanto, muitos problemas dificultam a solução desse impasse. O silenciamento ainda predominante da mídia, da escola e dos familiares em relação ao suicídio e à depressão cria um ambiente desfavorável para que o adolescente se sinta à vontade para falar de seus sentimentos, fazendo com que seja difícil a percepção de comportamentos suicidas / depressivos. Ademais, a pressão familiar em cima dos jovens em relação ao vestibular acaba por contribuir para que o jovem entre em depressão e não sinta firmeza sobre o seu futuro, resultando em um deslocamento dentro da família.

bullyng-620x350Portanto, medidas são necessárias para resolver essa situação. O MEC deverá providenciar palestras para escolas sobre os temas do bullying, da depressão e do suicídio, utilizando uma linguagem informal para aproximar os jovens. Ademais, devem ser criadas atividades semestrais anônimas, nas quais o jovem poderá relatar os seus sentimentos, criando uma maior facilidade em se abrir para as outras pessoas. O MINC deverá priorizar verbas para produções artísticas que tematizem o suicídio e outros problemas dos jovens, para que haja uma maior representatividade midiática sobre os problemas da juventude. Isso ajudará tanto os pais, no entendimento dos problemas dos filhos, e os próprios adolescentes, que sentindo-se melhor representados, não sofrerão mais em silêncio.

Anúncios

A internet é confiável?

Espalhamos notícias falsas como espalhamos fofocas.

por Giovanna Boscolo Castilho Gonçalves

fake-abraji-onthemidia-990x523As notícias falsas sempre existiram no Brasil; mas, com o surgimento da internet, as ocorrências se intensificaram. Em vez de ter poucas fontes de informação, as pessoas passaram a ter muitas, das quais uma quantidade grande não é confiável. Mas como as pessoas vão saber qual site seria confiável e qual não?

Esse é um dos grandes problemas que existem hoje em dia. A maioria das pessoas acreditam em tudo o que leem, independente de onde saiu a informação; então, espalham as notícias oralmente, junto com muitas mentiras e informações falsas, que podem ser sobre algo que não ocorreu, ou algum fato adulterado.

A psicanalista Maria Rita Kehl afirma: “Como não sabemos o que fazer com algumas notícias que nos chocam, ética ou moralmente, passamos adiante com a sensação de estar participando, de alguma forma, da esfera pública. No fundo, não é muito diferente da dona de casa que ouve alguma fofoca e corre para o muro, a contar para a vizinha”.

Completamente certa, ela quer nos alertar de que precisamos prestar atenção no que passamos para a frente, para não espalharmos notícias falsas, como espalhamos fofocas. As penas para aqueles que fazem essas notícias deveriam ser muito graves, apesar de ser difícil identificar quem atua nisso.

Crianças e consumismo

A luta contra o consumismo infantil exige que os pais sejam educadores e exemplo para os seus filhos.

por Maria Antônia Borges dos Santos

Segundo a lei brasileira 5921/01, é proibida a publicidade dirigida à criança. Mas, como o cenário geral do país já exprime, simplesmente haver uma lei não garante o seu cumprimento.

A publicidade tem poder de influência inegável. As crianças são ainda mais fáceis de serem atingidas, já que se aproveita da fase de formação delas, apelando para a sua atenção e cumplicidade a determinados produtos. Em meio à Era Tecnológica, esses jovens contemplam por horas o fulgor das telecomunicações coloridas, barulhentas e agonizantes, sendo bombardeados com produtos que os fazem querer consumir cada lançamento, causando uma forte competição entre as crianças, e uma verdadeira ditadura do consumo. Se alguma não possuir o que todas possuem, dentro de um determinado grupo, será excluída e sofrerá bullying.

foto_consumismo5A indústria da beleza está presente em muitos aspectos da sociedade, inclusive no mundo infantil, onde as meninas veem maquiagem, roupas e sapatos que as fazem querer parecer adultas. Existem muitos concursos de beleza, de “miss mirim”, que acabam exacerbando a competição, promovendo sexualização precoce e fazendo com que as crianças se esqueçam de quem são, esquecendo-se de aproveitar o que realmente seria a infância.

Desde pequenas, através de sutilezas culturais e educacionais, as mulheres são ensinadas a agradar os homens, e isso pode causar até problemas de saúde, já que querem fazer de tudo para parecerem mais bonitas. Na França, por exemplo, 37% das meninas fazem dieta.

As indústrias colocam os pais como inimigos, já que não podem dar tudo o que os filhos querem. Porém, é muito fácil persuadir os pequenos, tendo em vista a dificuldade dos pais modernos em dizer “não” às suas crianças. A psicóloga Ana Sandra Fernandes afirma: “Se eu não preparo essas crianças para lidarem com a frustração, com o não, pode acontecer delas serem adultos, no futuro, extremamente frustrados por não terem aquilo que querem. Então, esses ‘nãos’ são fundamentais. E trazem equilíbrio, pois a realidade está posta e não vai mudar.” Acrescenta que é importante os pais se questionarem e prestarem atenção se não estão dando um modelo consumista para os seus filhos se espelharem.

O consumismo apela a todos, independente da classe social, cultura e idade. Porém, as crianças devem ser educadas com cuidado; por isso, os pais devem estar sempre de olho no que os seus filhos assistem na televisão e no que leem na internet, e conseguir dizer “não” com autoridade.

Finalidade das notícias falsas

Desfazer as máquinas que produzem notícias falsas envolve uma responsabilidade ao mesmo tempo individual e coletiva.

por Raquel Aloia

Hoje em dia, é difícil ver alguém desconectado do mundo. Por conta das várias redes sociais que possuímos, estamos sempre recebendo informações de todo lugar. Mas será que essas informações são de fontes confiáveis?

A maioria das pessoas tem preguiça de procurar diferentes fontes de informação sobre um mesmo tema. Assim, acreditam no primeiro website que leem e logo compartilham o que leram entre as pessoas com as quais convivem. Desse modo, muitas notícias vão se espalhando e saindo do controle de quem as publicou em primeiro lugar.

Grande parte das notícias mais acessadas são aquelas que possuem teor sensacionalista, ou seja, as que buscam causar impacto no público, chamando atenção. Muitas notícias desse tipo são falsas, e procuram se aproveitar de alguma figura pública relacionada a algum tema polêmico.

Foi isso o que Alberto Júnior da Silva fez. Dono de vários websites, ele escreve matérias que transmitem notícias falsas. Um de seus sites se chama “Pensa Brasil”, onde foi publicada uma matéria sobre o fato de Gilberto Gil (figura pública) ter, supostamente, falado mal de um magistrado da Operação Lava-Jato: o juiz Sérgio Moro. Gil entrou na justiça para acusar o autor por danos morais. Conseguiu que o conteúdo fosse removido das redes. Porém, fica a pergunta do por quê essas notícias falsas serem publicadas.

Quando qualquer notícia é postada, são esperados vários acessos à página, pois os sites lucram com a venda de anúncios. Assim, quanto maior a audiência da página, mais renda ela obterá com publicidade. Chamar a atenção do público com manchetes sensacionalistas, por exemplo, é algo bem comum. E, já que as pessoas não procuram maiores informações sobre um mesmo tema ou fato noticiado em algum lugar, criar notícias falsas e (ou) polêmicas apenas para se ganhar dinheiro é algo fácil de se fazer.

fake-newsAssim, o desafio é diferenciar as notícias verdadeiras das falsas. Ambas têm a mesma capacidade de se espalhar rapidamente, e a verdade nas mídias é considerada apenas um detalhe, algo sem importância por ser, algumas vezes, pouco chamativo. Portanto, algo que é possível fazer para se acabar com esse tipo de notícia é buscar sempre informações em veículos diversificados e exigir punição legal aos autores de notícias falsas na internet.