A internet é confiável?

Espalhamos notícias falsas como espalhamos fofocas.

por Giovanna Boscolo Castilho Gonçalves

fake-abraji-onthemidia-990x523As notícias falsas sempre existiram no Brasil; mas, com o surgimento da internet, as ocorrências se intensificaram. Em vez de ter poucas fontes de informação, as pessoas passaram a ter muitas, das quais uma quantidade grande não é confiável. Mas como as pessoas vão saber qual site seria confiável e qual não?

Esse é um dos grandes problemas que existem hoje em dia. A maioria das pessoas acreditam em tudo o que leem, independente de onde saiu a informação; então, espalham as notícias oralmente, junto com muitas mentiras e informações falsas, que podem ser sobre algo que não ocorreu, ou algum fato adulterado.

A psicanalista Maria Rita Kehl afirma: “Como não sabemos o que fazer com algumas notícias que nos chocam, ética ou moralmente, passamos adiante com a sensação de estar participando, de alguma forma, da esfera pública. No fundo, não é muito diferente da dona de casa que ouve alguma fofoca e corre para o muro, a contar para a vizinha”.

Completamente certa, ela quer nos alertar de que precisamos prestar atenção no que passamos para a frente, para não espalharmos notícias falsas, como espalhamos fofocas. As penas para aqueles que fazem essas notícias deveriam ser muito graves, apesar de ser difícil identificar quem atua nisso.

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Finalidade das notícias falsas

Desfazer as máquinas que produzem notícias falsas envolve uma responsabilidade ao mesmo tempo individual e coletiva.

por Raquel Aloia

Hoje em dia, é difícil ver alguém desconectado do mundo. Por conta das várias redes sociais que possuímos, estamos sempre recebendo informações de todo lugar. Mas será que essas informações são de fontes confiáveis?

A maioria das pessoas tem preguiça de procurar diferentes fontes de informação sobre um mesmo tema. Assim, acreditam no primeiro website que leem e logo compartilham o que leram entre as pessoas com as quais convivem. Desse modo, muitas notícias vão se espalhando e saindo do controle de quem as publicou em primeiro lugar.

Grande parte das notícias mais acessadas são aquelas que possuem teor sensacionalista, ou seja, as que buscam causar impacto no público, chamando atenção. Muitas notícias desse tipo são falsas, e procuram se aproveitar de alguma figura pública relacionada a algum tema polêmico.

Foi isso o que Alberto Júnior da Silva fez. Dono de vários websites, ele escreve matérias que transmitem notícias falsas. Um de seus sites se chama “Pensa Brasil”, onde foi publicada uma matéria sobre o fato de Gilberto Gil (figura pública) ter, supostamente, falado mal de um magistrado da Operação Lava-Jato: o juiz Sérgio Moro. Gil entrou na justiça para acusar o autor por danos morais. Conseguiu que o conteúdo fosse removido das redes. Porém, fica a pergunta do por quê essas notícias falsas serem publicadas.

Quando qualquer notícia é postada, são esperados vários acessos à página, pois os sites lucram com a venda de anúncios. Assim, quanto maior a audiência da página, mais renda ela obterá com publicidade. Chamar a atenção do público com manchetes sensacionalistas, por exemplo, é algo bem comum. E, já que as pessoas não procuram maiores informações sobre um mesmo tema ou fato noticiado em algum lugar, criar notícias falsas e (ou) polêmicas apenas para se ganhar dinheiro é algo fácil de se fazer.

fake-newsAssim, o desafio é diferenciar as notícias verdadeiras das falsas. Ambas têm a mesma capacidade de se espalhar rapidamente, e a verdade nas mídias é considerada apenas um detalhe, algo sem importância por ser, algumas vezes, pouco chamativo. Portanto, algo que é possível fazer para se acabar com esse tipo de notícia é buscar sempre informações em veículos diversificados e exigir punição legal aos autores de notícias falsas na internet.