Finalidade das notícias falsas

Desfazer as máquinas que produzem notícias falsas envolve uma responsabilidade ao mesmo tempo individual e coletiva.

por Raquel Aloia

Hoje em dia, é difícil ver alguém desconectado do mundo. Por conta das várias redes sociais que possuímos, estamos sempre recebendo informações de todo lugar. Mas será que essas informações são de fontes confiáveis?

A maioria das pessoas tem preguiça de procurar diferentes fontes de informação sobre um mesmo tema. Assim, acreditam no primeiro website que leem e logo compartilham o que leram entre as pessoas com as quais convivem. Desse modo, muitas notícias vão se espalhando e saindo do controle de quem as publicou em primeiro lugar.

Grande parte das notícias mais acessadas são aquelas que possuem teor sensacionalista, ou seja, as que buscam causar impacto no público, chamando atenção. Muitas notícias desse tipo são falsas, e procuram se aproveitar de alguma figura pública relacionada a algum tema polêmico.

Foi isso o que Alberto Júnior da Silva fez. Dono de vários websites, ele escreve matérias que transmitem notícias falsas. Um de seus sites se chama “Pensa Brasil”, onde foi publicada uma matéria sobre o fato de Gilberto Gil (figura pública) ter, supostamente, falado mal de um magistrado da Operação Lava-Jato: o juiz Sérgio Moro. Gil entrou na justiça para acusar o autor por danos morais. Conseguiu que o conteúdo fosse removido das redes. Porém, fica a pergunta do por quê essas notícias falsas serem publicadas.

Quando qualquer notícia é postada, são esperados vários acessos à página, pois os sites lucram com a venda de anúncios. Assim, quanto maior a audiência da página, mais renda ela obterá com publicidade. Chamar a atenção do público com manchetes sensacionalistas, por exemplo, é algo bem comum. E, já que as pessoas não procuram maiores informações sobre um mesmo tema ou fato noticiado em algum lugar, criar notícias falsas e (ou) polêmicas apenas para se ganhar dinheiro é algo fácil de se fazer.

fake-newsAssim, o desafio é diferenciar as notícias verdadeiras das falsas. Ambas têm a mesma capacidade de se espalhar rapidamente, e a verdade nas mídias é considerada apenas um detalhe, algo sem importância por ser, algumas vezes, pouco chamativo. Portanto, algo que é possível fazer para se acabar com esse tipo de notícia é buscar sempre informações em veículos diversificados e exigir punição legal aos autores de notícias falsas na internet.

Sem mais segregação

Desfazer os preconceitos por trás da denominada apropriação cultural passa por conhecer e respeitar as culturas originais de onde surgem os símbolos que queiramos adotar.

por Ana Beatriz Cavalcante Urze Rhomens Marques

O termo mais discutido depois do episódio em que uma garota postou, em seu facebook, que duas outras garotas, negras, abordaram-na no ônibus pedindo para que retirasse o turbante que usava na cabeça, é a apropriação cultural. Mas o que é isso?

Apropriação cultural é um conceito antropológico que se refere à adoção de alguns elementos específicos de uma cultura por um grupo diferente. O seu sentido é negativo, pois tal apropriação é feita por um grupo dominante em relação a um grupo oprimido.

Desde a época das grandes navegações, são evidentes a segregação e a marginalização de muitas culturas, uma vez que a cultura branca e europeia sempre foi mais valorizada. Com a chegada da globalização,  o rápido acesso a diferentes culturas abriu as portas para um novo jeito de ver essas diferenças, agora não mais a partir de um ponto de vista preconceituoso.

Além disso, vivemos em uma sociedade que preza a liberdade individual e o respeito. Vivemos em uma época de desconstrução de pensamentos, com o objetivo de unir toda a sociedade e igualar todos os indivíduos, acabando com o preconceito e a marginalização.

11013568_934426963285774_7827075776219593946_nA partir do momento em que se diz que uma pessoa branca não pode usar um turbante, cria-se uma barreira entre culturas, com a justificativa de que tal pessoa pertence ao grupo dominante. Uma pessoa branca usar um turbante mostra que há uma desconstrução de pensamento, pois aquele turbante já não é mais um símbolo marginalizado.

É claro que, por outro lado, a indústria da moda se aproveita dessa desmarginalização para simplesmente lucrar, sem ao menos dar atenção para a cultura original de onde aquele símbolo surgiu, defeito grave do mundo capitalista.

É necessário que a mídia e as pessoas, ao invés de enfatizarem apenas a separação e a diferença entre as culturas, comecem a observar e mostrar as origens culturais de cada símbolo que se queira adotar – inclusive roupas e adereços. Isso contribuiria para a diminuição da segregação e seria melhor do que não usar algo por medo, ou julgar quem usa.

Para todos

É preciso investir em educação pública, gratuita e de qualidade, para acabar com o problema grave do analfabetismo funcional.

por José Maria Ruiz de Gamboa Velasquez

De acordo com o INAF (Indicador de Alfabetismo Funcional), somente 8% da população brasileira é proficiente em sua própria língua. Ainda, 38% dos estudantes do Ensino Médio não dominam habilidades básicas de ler e escrever. O indivíduo proficiente é capaz de compreender e elaborar diversos gêneros textuais, reconhecer o estilo e o posicionamento opinativo do autor, além de compreender e interpretar gráficos.

Este assunto é de extrema relevância, dado que o país carece de boa qualificação de mão-de-obra, podendo haver uma maior ascensão social e aquecimento da economia com mais trabalhadores qualificados. Para a professora da UNICAMP, Ana Lúcia Guedes Pinto, o atraso na educação brasileira reflete a desigualdade socioeconômica que persiste em toda a nossa história.

sos educacaoO problema educacional brasileiro vem se arrastando desde a colonização, quando a educação se destinava somente aos mais ricos, e não aos pobres ou escravos, como afirma o historiador Boris Fausto. Ainda segundo a pesquisa citada, o ingresso de 30 milhões de estudantes no Ensino Superior entre 2000 e 2009 foi bom, pois difundiu o acesso à educação para diversos estratos sociais.

Porém, não se investiu na qualidade desse mesmo ensino, o que pode ser comprovado pela baixa qualidade de muitas universidades privadas. A pesquisa também traz outro dado alarmante: o analfabetismo funcional ser maior entre pessoas de 50 a 64 anos de idade.

Para que se possam obter níveis menores de analfabetismo funcional, são necessárias políticas públicas voltadas para uma melhor qualidade do ensino público, além da criação de programas que estimulem o acesso à educação para que se obtenha maior geração de renda e crescimento profissional. Enfim, uma educação pública,  gratuita e de qualidade para todos, conforme previsto pela Constituição.

Mulher de “bem”

Pesquisa revela o quanto padrões de pensamento machista ainda predominam em nossa sociedade e são responsáveis pela violência contra a mulher.

por Luana Favero Santalucia

Uma campanha promovida no começo deste ano, pelo site Catraca Livre e intitulada “Carnaval sem assédio”, encomendou uma pesquisa realizada pelo Instituto Data Popular, que apontou o que os homens acham de uma mulher solteira que decide “pular” carnaval.

61% dos homens abordados afirmaram que uma mulher solteira que vai pular carnaval não pode reclamar de receber “cantadas”; 49% disseram que carnaval de rua não é lugar de mulher “direita”; 70% acham que as mulheres se sentem bem ao ouvirem um assobio, e 59% acreditam que elas também ficam felizes ao receberem cantadas na rua.

Pois uma mulher que se “preze”, uma mulher de “bem”, tem que ficar em casa descansando. Uma mulher direita também se vestiria “corretamente”, ou seja, sem roupas curtas e justas, sem exibir seu corpo. Além de que esse tipo de mulher não ingeriria bebidas alcoólicas nem fumaria.

o-MACHISMO-PROTESTO-900Uma mulher de “bem” deve então se privar de festas e não pode usar as roupas que quiser; pois, se usar, estaria sujeita a assédio, ela estaria “pedindo por isso”. Essa mulher deve ficar em casa servindo ao homem, disposta a qualquer tarefa caseira em benefício dele, não deve reivindicar qualquer coisa que não esteja dentro dos padrões patriarcais.

Essa mulher é sujeita a um discurso da “tradição”, muitas vezes constituído de modo a deixá-la subjugada ao homem e sem poder de questionamento. As mulheres que ousam não seguir esses preceitos estão sujeitas a violência verbal, física e sexual. A pesquisa feita pelo Data Popular consegue traduzir bem o quanto a nossa sociedade ainda se mostra extremamente machista.